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  • Rafael Bruxellas Parra

Política inovadora só com planejamento


Disponível em: https://www.docusign.com.br/blog/como-elaborar-um-planejamento-estrategico/


Onde todos "entendem", poucos planejam: essa parece ser a máxima dos dias de hoje na política francana. Perguntar quais foram os projetos ganhadores das eleições em nossa cidade nos últimos 15 anos, é como tentar achar o hospital das clínicas prometido na última eleição. Ninguém sabe onde está, mas todos sabem quem se elegeu.


Em 2016 propus à cidade de Franca um plano de legislatura, disponível até hoje em meu portal online. O plano apresentava através de uma visão baseada em dados coletados da Câmara Municipal de Franca, alternativas aos problemas da cidade, além das ferramentas que seriam utilizadas para implementação destas políticas. A construção do projeto se deu por meio da participação cidadã utilizada nas mídias digitais e do envio de sugestões via portal online.


Foi a primeira vez nos quase 200 anos de Município que tivemos um plano para contemplar a Câmara Municipal. O projeto foi apresentado sobretudo a alguns vereadores eleitos como possível modelo para apresentação de suas candidaturas. Entretanto, nenhum dos nossos vereadores apresentaram projetos ao eleitor sobre suas pretensões para com a cidade.


Nesta segunda-feira estive presente em uma audiência pública na Câmara Municipal de Franca. O objetivo do evento era debater as prioridades para a destinação do recurso público na região da Alta Mogiana. E por incrível que pareça, a partir daí, criar um planejamento para aplicação do recurso. Ora, se nós precisamos criar um planejamento para aplicação dos recursos durante o mandato dos vereadores, prefeitos, deputados e do governador, qual seria o motivo dos planos de governo apresentados pelas candidaturas majoritárias e da disputa de ideias protagonizada pelas proporcionais (já que as mesmas não apresentam projetos) na eleição de 2016? Ninguém contrata um engenheiro para construir o projeto da casa após o início da execução da obra, por que na política precisa ser diferente?


A apresentação de um projeto de governo é obrigatória pela justiça eleitoral nos casos de candidaturas ao executivo, porém a lei não possui nenhum critério de avaliação, basta apresentar 5 páginas escritas com propostas para a cidade e entregar no prazo e pronto. Alguns candidatos chegam a entregar o plano no último dia do prazo (20 dias antes da eleição), como ocorreu no caso de Franca em 2016. Não tendo o eleitor, portanto, tempo hábil para a comparação dos diferentes projetos e muitos sequer para ler algum projeto.


Ações como estas nos deixam a mercê de governos "desgovernados", acarretando em mau gasto do dinheiro público, falta de transparência dos serviços prestados, falta de oportunidades para a participação das pessoas e, consequentemente, falta de argumento ao próprio eleitor para cobrar os agentes públicos. Pense bem, você se candidata a prefeitura da sua cidade, é eleito prefeito sem realizar qualquer levantamento de dados na sua cidade, sem saber os problemas do município, apenas apresentando meia dúzia de propostas criadas na véspera do prazo eleitoral para cumprir a exigência burocrática. Será que você realmente se sentiria mal ao ser cobrado pelos seus eleitores? Ou os seus eleitores é que se sentiriam desanimados com a política e com os políticos por terem acreditado em frases de boas intenções?


Franca já perdeu muito com cheques em branco. Não é momento de desanimar da política, mas sim, hora de eleger projetos de governo em vez de políticos para o governo.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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