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  • Rafael Bruxellas Parra

Mobilidade ou imobilidade urbana?

A partir da construção de Brasília em 1960, os avanços da indústria automobilística foram imensos em todo o país, e as vendas de automóveis movidos a combustão dispararam. As ferrovias praticamente se extinguiram e os trens de carga em sua maioria foram substituídos por caminhões.


De lá para cá, já se foram 59 anos. A tecnologia se desenvolveu muito e a população aumentou significativamente. Os espaços continuaram os mesmos e como consequência, o transporte de pessoas tornou-se mais complicado. Os impactos no meio ambiente são cada vez mais evidentes e, também por isso, o tema "mobilidade urbana" é visto como via resolutória fundamental para as demandas do século XXl.


Falar sobre mobilidade urbana cada vez mais é falar sobre qualidade de vida e alguns municípios do Brasil já entenderam que é preciso uma mudança drástica no sistema para atualizar a relação das pessoas com os novos centros urbanos.

Renault Twizy - Produzido em 2010, fabricado pela Renault - Foto ABDI/divulgação, disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/05/19/interna_cidadesdf,755781

Infelizmente, em Franca o transporte anda para trás. O trânsito está cada vez mais congestionado e as "tecnologias" de lombadas da prefeitura não estão mais dando conta do recado. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o número de veículos de transporte privado nas ruas da cidade, aumentou 64% nos últimos 10 anos. Somando um pouco mais de 262 mil veículos. Por falta de políticas inovadoras na área e um plano de mobilidade urbana atualizado, estamos hoje entre as 5 cidades do estado com maior taxa de mortalidade no trânsito.


No entanto, nem sempre foi assim. Em 1999 a prefeitura de Franca inovou e se tornou um exemplo da época a ser seguido. Com a implementação de um sistema de integração do transporte público baseado na bilhetagem eletrônica, mudou a realidade do município, que antes possuía ligação direta apenas entre alguns poucos bairros da cidade, ou seja, quem quisesse se deslocar médias e longas distâncias precisava comprar duas passagens, o que, por vezes, inviabilizava o direito de ir e vir da população. A ideia foi tão revolucionária que fomos estudados por muitas cidades do país e até convidados a apresentar o projeto na África do Sul

Todavia, para entender os novos tempos é preciso saber que diminuir o número de veículos privados em troca de aumentar o quantidade de bicicletas e veículos de transporte público é tratar um problema atual com soluções do passado.


É preciso, portanto, adotar um plano de mobilidade urbana que contemple um sistema multimodal, em que a população tenha diferentes opções de deslocamento, conectadas entre si, para que possa escolher a melhor forma de se movimentar, de acordo com cada destino. Para isso, é fundamental a parceria público-privada.


Franca parece não ter avançado muito no tema ao longo dos últimos 20 anos. O bom é saber que aqui ainda podemos cultivar a esperança. Pois, de tempos em tempos, alguém ainda pode inovar

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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