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  • Rafael Bruxellas Parra

Indústria x Setor de Serviços


http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2016/07/franca-lidera-geracao-de-empregos-no-1-semestre-com-69-mil-contratacoes.html


Franca é conhecida mundialmente pela produção de calçados; embora o nome de capital calçadista tenha vindo após a alta da década de 80, o município ainda é um expressivo polo industrial. Sabendo, porém, que os postos de trabalho e as empresas do ramo estão em queda desde os anos 90, resta-nos pensar qual seria a saída econômica para a situação que se impõe.


Como práxis das tendências de inovação em governo e cidades, não podemos deixar de pensar no setor de serviços, que, em Franca, vem despontando nos últimos 10 anos, atingindo com o ISS a terceira maior receita da Prefeitura Municipal. Todavia, ao aprofundar um pouco a discussão é possível perceber que, dentro do setor, a área que mais se destaca é a prestação de serviços do ramo calçadista, somando um total de 47% dos prestadores.


Em 2016, embora em baixa comparada com os outros anos, Franca foi a segunda maior cidade em geração de empregos do Brasil: 88% dos postos gerados estavam vinculados à indústria calçadista, tanto no setor de serviços quanto na produção industrial. Ou seja: em um país que ainda não finalizou seu processo de industrialização e que considera que os avanços na economia estão vinculados à venda de nossas indústrias, nosso município apresenta-se como um contraponto real desta política e demonstra na prática a importância da produção industrial na geração de emprego e renda.


Por outro lado, a baixa do setor nos últimos anos, as mudanças das fábricas da cidade, devidas a políticas de isenção fiscal em outros estados, a entrada consistente da China no mercado e a oscilação da economia, aliadas ao despontar do setor de serviços como opção econômica, vêm mudando o foco de nossas administrações e causando danos claros à cidade.


Para exemplificar os impactos da queda do setor industrial no município, vamos analisar apenas três, dos vários aspectos existentes: o índice da população em situação de rua, a porcentagem de ex-sapateiros e o índice de homicídios na cidade.


Em 2012 Franca possuía em torno de 220 pessoas em situação de rua; já em 2016, o número praticamente quadruplicou, chegando a um total de 800 pessoas. Segundo pesquisas realizadas pela Secretaria de Ação Social da Prefeitura Municipal, 38,5% desses indivíduos, antes de perderem seus empregos, eram sapateiros. Por fim, Franca vem passando por uma alta na taxa de homicídios que, embora não ultrapasse a média nacional do conjunto das cidades brasileiras, já é maior que o da cidade de São Paulo.


Sabendo que a Indústria, é, sem dúvida, quem tem o maior potencial de criação de postos de trabalho, num país onde grande parte dos crimes, sobretudo os de homicídio, acontecem por falta de condições básicas e que 29,8% das pessoas que sobrevivem na rua estão nessa situação, devido ao desemprego (segundo a última pesquisa do Governo Federal realizada pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome), não é preciso muito estudo para entender que a indústria é o motor do crescimento e o emprego a saída para a queda da violência. Também por esse motivo, em Franca é preciso, retomar o crescimento da indústria, desenvolvendo como contrapartida os setores de serviços, pois, só assim, estes crescerão de maneira sólida. Do contrário, tendem a ficar andando de lado pela falta da injeção econômica produzida pelo ramo industrial.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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