Buscar
  • Rafael Bruxellas Parra

Gestão Inovadora

Disponível em https://www.camara.leg.br/noticias/445662-programa-participacao-popular-ganha-premio-engenho-de-comunicacao/


A inovação no setor público é um fator primordial para a melhoria dos serviços prestados. Com o avanço da tecnologia e das redes de comunicação os desafios aumentaram e passam desde a emergência da cidadania digital até a interação de diferentes setores do governo na criação de uma estratégica única de desenvolvimento.


Além disso, é preciso repactuar a relação com a sociedade civil que hoje não se vê mais representada pelos atuais governos, partidos e até instituições. Um dos pontos fundamentais para isso é entender que política não se faz mais para a população e sim com a população. O cidadão precisa ter a oportunidade de participar ativamente dos avanços e decisões do governo. E, assim, também entenderá as dificuldades e as contrapartidas de cada ação tomada.


A utilização das redes pode ser um grande aliado nesse sentido, pois, assim como os diversos setores sociais, a democracia e a gestão pública também são transformadas pelas tecnologias. A sociedade em rede possibilita o surgimento de novos instrumentos de participação cidadã e o alargamento dos espaços públicos, estimulando os agentes governamentais a agirem de forma mais inclusiva e dialógica.


Em meados de 2013, o então prefeito de Pelotas utilizou desta ferramenta para definir o preço da passagem do transporte público do município. A prefeitura criou um site em que o cidadão Pelotense escolhia quais as características que ele gostaria de ter acesso durante sua permanência no transporte público. Desta forma, a população podia definir se é favorável a passe livre estudantil, ar condicionado, etc. A interface do site possuía um sistema de cálculo imediato, onde cada item correspondia a um aumento específico na tarifa cobrada. Naturalmente, o cidadão também passou por um processo de reflexão e o consenso entre todos prevaleceu para a escolha da tarifa ideal. A prefeitura foi muito bem sucedida nestas ações e o ex-prefeito é o atual governador do Rio Grande do Sul.


Embora a participação cidadã apresente-se como novidade nos dias de hoje, ela já foi utilizada em outros tempos, sobretudo em Franca através do orçamento participativo, foi em meados dos anos 2000 que a própria população participou do processo de decisão do orçamento da prefeitura e do município. Segundo pesquisas realizadas na época, descritas em tese publicada por João Marino Júnior, 2005, UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos) 59% da população entrevistada acharam a ação importante para o entendimento do próprio cidadão com relação à situação financeira do município, 68% acharam importante para unir a população em torno de melhorias para a cidade e 56% disseram que o OP (orçamento participativo) tornava a administração pública mais democrática.


No entanto, a oposição na época dizia ser, na prática, uma questão de marketing da prefeitura. E, infelizmente, essa foi a história que ficou contada, a partir de então não tivemos mais ações de Orçamento Participativo no município, bem como nenhuma outra iniciativa de participação cidadã.


O que me leva a concluir que a importância do debate é fundamental, sobretudo a crítica, que quando bem colocada, deve e precisa ser feita. Mas, em momentos de crise e dificuldade como o que vivemos hoje em todo o Brasil, é preciso deixar as paixões de lado e utilizar dos novos mecanismos de comunicação e tecnologia, para chamar a população a participar das decisões, afinal ela quem sente na pele as demandas da realidade.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

11 visualizações

PRA ONDE

FRANCA VAI?

Rafael Bruxellas

Empresário e sócio diretor da

empresa kOI

Copyright © 2019 Rafael Bruxellas. Todos os direitos reservados