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  • Rafael Bruxellas Parra

Francamente


Calçadão Franca, disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6e/Calçadão_da_Rua_do_Comércio%2C_Franca_%28SP%29%2C_Brazil.jpg


Franca está entre as dez cidades mais populosas do estado de São Paulo. Não tem grandes problemas de estrutura e é um importante centro econômico-industrial da Alta Mogiana, além de ocupar o primeiro lugar em saneamento básico do país.


Todavia, o município vem passando por uma inversão populacional, no que diz respeito à faixa etária predominante de seus cidadãos: em 1996, a maior parcela da nossa população possuía entre 29 e 45 anos; hoje, são os jovens entre 16 e 29 anos que ocupam esse espaço (segundo dados do IBGE /2019).


É importante lembrar que nosso município possui universidades de grande porte, como a UNESP e a UNIFRAN, além de duas municipais: FDF (Brejão) e Uni Facef. Entretanto, embora a qualidade do ensino seja boa, grande parte dos cursos não possui mercado de trabalho ativo no município; e nossos jovens acabam indo embora para uma cidade mais atrativa.


Isso é um problema por, pelo menos, dois motivos:


● Perdemos nosso potencial criativo, uma vez que grande parte dessas pessoas não retornam a Franca após se inserirem no mercado de trabalho. ● Ficamos reféns de uma política pensada para o século XX, que não extrapola os conceitos de zeladoria e manutenção do espaço público. Sem contar que não faz sentido algum nós produzirmos pessoas qualificadas para irem gerar riqueza para outros municípios. Ou seja, o cidadão, nasce em Franca, estuda nos colégios do município, forma-se nas universidades do município e vai embora para trabalhar em outra cidade. O que nós ganhamos com isso? Há algum tempo tenho falado da importância de Franca ocupar seu espaço como polo regional. Para isso, existem políticas públicas importantes que podem ser realizadas com apoio das universidades, das empresas e da população Francana. Uma delas é a criação de um centro de pesquisa universitário que integre as universidades do município (Unifran, Facef, FDF, Unesp) com as empresas da cidade. Assim, é possível realizar a produção na prática (de produtos e novos serviços), ao mesmo tempo em que se constrói o acúmulo e a interação do conhecimento. Para isso, é preciso que haja uma aproximação, sobretudo física, das empresas do município com as universidades. Porque, quando uma empresa investe recursos em pesquisas e experiências, é natural que os pesquisadores (alunos dos cursos relacionados com a área de atuação da empresa), ainda como estagiários, mas principalmente, assim que formados, adentrem no mercado de trabalho e sejam contratados por aquela instituição. São pelo menos três fatores positivos, em via de mão dupla, gerados pela criação de um centro de pesquisa: ● Produção e integração do conhecimento, facilitando o acesso e a troca de experiências entre pesquisadores, empresas e universidades. ● Estoque de ideias e experiências criadas a partir de estudo científico, para a elaboração de novos projetos e aperfeiçoamento daqueles que já estão em andamento.

● Aumento da produção de riqueza e conhecimento, no município, protagonizado pela permanência de sua população e inserção da mesma no mercado de trabalho, nas mais diversas áreas do conhecimento. Há mais de 20 anos que estamos acostumados a uma política onde: o prefeito bom é aquele que asfalta a rua. Com os problemas básicos sanados, não seria a hora de cobrar de nossos governantes a política do século XXl?

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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