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  • Rafael Bruxellas Parra

Franca Quente


Praça Nossa Senhora da Conceição 100 anos atrás, foto disponível em: https://gcn.net.br/noticias/215267/quem-somos/2013/06/quase-100-anos-atras


Já não é mais preciso um profundo levantamento de dados para perceber as mudanças climáticas que estão acontecendo em nosso município; basta estar nele para se sentir fisicamente a mudança da temperatura.


Franca sempre foi considerada uma cidade de ótimo clima para se viver, além de uma cidade segura e tranquila. Ultimamente, os três aspectos estão em baixa. A cidade, infelizmente, já não é tão segura, os índices de violência ultrapassam proporcionalmente o da Capital, a tranquilidade com que se chegava no trabalho e se locomovia no município também não é mais a mesma, devido ao congestionamento das vias urbanas e à falta de projetos de trânsito, como: um plano de mobilidade urbana. Agora, o calor também está se tornando mais um inconveniente.


A sorte, se é que podemos assim dizer, é que: nenhum desses problemas são irreversíveis e todos se resolvem com política pública adequada. Nos textos anteriores falei sobre soluções de mobilidade urbana e segurança pública. Cabe aqui ressaltar, portanto, o que pode ser feito com relação à qualidade de vida no município e à redução da temperatura.


Franca já foi considerada referência em meio ambiente, com a criação do Jardim Zoobotânico: “Em Franca, o Jardim Zoobotânico Municipal, onde há um bosque de pau-brasil com mais de 300 árvores plantadas em 2001, é o jardim botânico paulista que tem a maior coleção de árvores de pau-brasil em todo o país.” (ROCHA, 2004, p. 212.)


Todavia, projetos como esses perderam espaço para a especulação imobiliária, a criação de loteamentos e condomínios, políticas de zeladoria, além de outras, consideradas mais importantes pelas últimas administrações.


Acontece que o meio ambiente e a qualidade de vida em geral são condições cuja falta só percebemos quando as perdemos; e, muitas vezes, é tarde demais para reverter o quadro. Não podemos deixar chegar o momento de irreversibilidade.


Algumas ações podem ser realizadas a partir de um plano de arborização do município, que especifique a necessidade de ampliar o plantio de árvores, mas que delimite quais espécies são provenientes do ecossistema local e quais os locais específicos para cada árvore.


Planos como este podem demorar anos para que os efeitos sejam notados no dia a dia do cidadão. Entretanto, existem maneiras mais adequadas de gradativamente mudar profundamente a vida da população: é preciso direcionar os esforços para a criação e recuperação de pequenos espaços de convivência. Espaços entre quadras, praças, canteiros públicos, etc.


Esse movimento já está sendo feito em alguma medida; porém, sempre de forma voluntária, por meio da organização de comitês como o Verdejar, que, de boa vontade, conta com a participação das pessoas que acreditam numa Franca mais sustentável. É, outrossim, o caso da importante ação de reflorestamento do bairro Jardim Noêmia, prevista para dia 8 de dezembro deste ano.


Agora, é preciso que nossa prefeitura também entenda isso e tenha projetos para acelerar a arborização do município. Só assim, conseguiremos avançar de forma efetiva e consistente em busca da qualidade de vida que nossa cidade já teve um dia.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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