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  • Rafael Bruxellas Parra

CULTURA FRANCA


Casa da Cultura e do Artista Francano, disponível em: https://gcn.net.br/noticias/269360/franca/2014/11/casa-da-cultura-em-franca-se-torna-um-ponto-de-interrogacao


Para falar sobre a cultura em nossa cidade é preciso entender em primeiro lugar a retrospectiva histórica dos últimos vinte anos que culminou na principal inversão geracional vivida por nós em fins do século XX até os anos de hoje.


Em 1996 nosso município era composto majoritariamente por trabalhadores ativos, em especial da indústria, cuja idade populacional era de 29 a 45 anos de idade. Ou seja, uma população que em sua maioria, estava das 8hrs às 18hrs em horário de trabalho, restando como tempo livre para lazer e cultura, os finais de semana.


A Cultura, portanto, assim como outras atividades relacionadas ao lazer, eram em sua maioria disponibilizadas em eventos específicos de datas comemorativas do município e aos sábados e domingos.


Acontece que nos últimos anos cresceu muito a quantidade de pessoas jovens no município, somando um total de 82 mil com idade de 16 a 29 anos (IBGE/2018). Esta população por sua vez, não está tão incluída no mercado de trabalho formal, embora produza conhecimento e riqueza no município, em especial nas áreas de cultura e tecnologia.


O universo do trabalho nos últimos anos com a chegada da tecnologia, de aplicativos de trabalho, da reforma trabalhista e da automação dos processos, se transformou de forma considerável. O que acarretou numa mudança na perspectiva das pessoas e na prática da produção, que hoje se dá em grande parte por meio dos microempreendedores individuais, das sociedades limitadas e da pejotização do trabalhador. A população mais impactada por esse tipo de ação sem dúvida é a população jovem, que ainda não se inseriu por completo no mercado de trabalho e que para isso, adentra as novas regras do mundo informal do trabalho.


Todavia, esses jovens em sua maioria vivem o dia a dia noturno da cidade e participam mais ativamente da vida cultural do município, que nos últimos anos tem ganhado corpo e vida com produções artísticas de alto nível. Seja na música (da qual pude participar ativamente), do teatro, do grafite, da cultura popular, das artes plásticas, do teatro de rua, entre outras áreas.


Entretanto, a política pública cultural de Franca, não se adaptou conforme nossa mudança populacional do município e continua sendo oferecida da mesma forma como era no século XX. O município não consegue aproveitar os seus talentos para produzir cultura de qualidade e as poucas oportunidades que o tem de fazer, opta pela valorização de músicos da indústria cultural nacional. Como ocorre no caso de uma das principais ações do município, a EXPOAGRO.


Por outro lado, os coletivos e os artistas independentes do município é que conseguem de forma voluntária realizar um trabalho importante para a cidade e atender, dentro de suas limitações de recurso, a expectativa da nossa população. É triste dizer que embora haja muita qualidade no trabalho destas pessoas, os francanos moradores dos bairros mais afastados muitas vezes não têm um acesso plural a essa arte e cultura produzida pelo próprios artistas do município.


Bom é saber que esses problemas tem solução, desde que apliquemos uma política pública adequada à cultura. O primeiro passo é saber aonde queremos chegar: realizar a criação de um plano de cultura para o município, que inclua seus agentes culturais e projete ações para os próximos 10 anos em Franca.


A partir daí podemos organizar atividades como: apresentações culturais em espaços públicos que reúnam não só as diferentes apresentações artísticas, mas também feiras gastronômicas, venda de artesanato e exposições, criando um espaço de sociabilização para a população Francana, que não dependa apenas dos artistas para a aproximação das pessoas, mas sim, de uma política pública de integração.


A prefeitura de Franca precisa se colocar como o elemento agregador deste processo, pois é papel dela promover a sinergia entre os coletivos culturais, a classe artística e a população Francana.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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