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  • Rafael Bruxellas Parra

COVID-19 EM FRANCA


Foto disponível em: https://www.facebook.com/Bruxellas/posts/2999744506759484?__tn__=K-R-R


O alastrar do vírus no mundo têm unificado a atuação das autoridades da saúde, políticos, empresários e até da população. No Brasil, todavia, ainda existe alguma divergência, não entre os técnicos, governadores e políticos no geral, mas basicamente entre o Presidente da República, alguns empresários e uma parcela da população. Parte desta divergência está vinculada ao fato de que nesse momento não se pode descuidar da economia, pois pode acarretar em problemas futuros para o país, a população mais pobre e o empresariado, por isso, pedem o fim da quarentena.


Sabem que o vírus tende a infectar grande parte da população, mas pensam ser a melhor opção “deixar a água rolar”, mantendo os cuidados básicos de higiene possíveis e ver o que acontece. O problema, no entanto, é mais embaixo e por isso tem preocupado tanto as autoridades técnicas da saúde.


A verdade é que o Brasil possui em torno de 66 mil leitos, 61 mil respiradores em funcionamento e uma população com mais de 200 milhões de habitantes e que o problema principal das complicações da doença é a dificuldade de respiração. Mas embora a mortalidade da Corona Vírus não seja das mais altas (3,7%), o fato de não haver equipamento suficiente para tratar a população pode chegá-la a 10-15% dos infectados.

Em coletiva a imprensa o Ministério da Saúde apontou como estimativa até o pico da doença, um cenário onde nós teremos em torno de 50-60% da população infectada.


O que nos resta a crer que o único movimento possível nesse momento é diminuir a aceleração do contágio, para garantir que no momento de infecção grave as pessoas tenham o máximo de acesso possível ao tratamento adequado, o que envolve, acesso a leitos e respiradores. Por isso a quarentena está sendo adotada a nível nacional.


Apesar do município de Franca não apresentar um grande número de casos confirmados, é importante ressaltar o papel do poder municipal no combate ao COVID-19, a fim de resguardar a vida da nossa população. Mas é impossível realizar tal análise municipal sem antes mencionar os desfechos desta crise multicontinental.


A situação na cidade de Franca, em comparação com outras do Brasil está muito longe das piores, a quarentena aqui foi adotada quatro dias antes da maioria dos municípios do Estado de São Paulo e por isso, entre as 40 maiores cidades do estado, nos encontramos hoje como o município que tem o menor número de infetados confirmados.


Todavia, o descuido não é uma alternativa e o problema chegará aqui com intensidade semelhante à de qualquer cidade brasileira. Cabe a nós e a prefeitura adotar as melhores estratégias para resguardar a população francana, que hoje tem em torno de 140 leitos nos hospitais e 35 respiradores.


Também em coletiva a imprensa, o diretor da Unimed de Franca anunciou que até final de abril devemos ter cerca de 10% da nossa população infectada, o equivalente a 35.000 pessoas. Sabendo que em média 5% (1750) destas pessoas, em geral, precisam de respiradores, devida gravidade dos casos, temos nesse momento, um déficit no município de 1715 respiradores e 1600 leitos.


Tendo em vista as prospecções mais otimistas das autoridades da saúde cujo pico da doença deve se dar até 20 de abril, o momento agora é de se resguardar. Qualquer tipo de manifestações físicas são desnecessárias e danosas no combate à doença.


Pensar na economia é legítimo, mas não se pode deixar enganar. Prova disso são os artigos publicados sobre a eficiência da quarentena no combate a pandemia da gripe espanhola nos EUA. Os estados que adotaram como política de prevenção ao contágio o isolamento social, se recuperaram mais rápido da crise econômica do que os demais que não o fizeram.


O momento, portanto, não é ideológico e sim técnico. A desvalorização da ciência tem um limite, quer queira quer não, e a vida das pessoas o ultrapassou há muito tempo. A economia vai piorar, de um jeito ou de outro. A questão central é quantas pessoas restarão no final dessa pandemia para ajudar a reerguê-la.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI, foi colunista do Jornal Verdade e Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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