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  • Rafael Bruxellas Parra

Automatização X Empregabilidade


Disponível em: https://www.paulogala.com.br


A ocupação dos espaços humanos pelas máquinas e a diminuição dos empregos como contrapartida, já é tema conhecido e comum nos debates sobre o futuro de nossas cidades.


Não é razoável deixar de analisar os avanços que a tecnologia trouxe às sociedades ao longo de suas construções. A questão porém, no século XXI, passa a ser a possibilidade de automatização de todos os processos das cadeias de produção, do chão das fábricas à contabilidade das empresas;


Para se ter uma ideia da proporção do tema, basta analisarmos duas situações: a automatização da Uber e a inserção de bombas automáticas em postos de gasolina. A primeira já está em projeto teste de automóveis com pilotagem 100% automática, ou seja, o usuário solicita o transporte via aplicativo e o veículo vem ao seu encontro sem nenhum motorista. A vantagem aos usuários é, basicamente, a possível redução dos custos, uma vez que a empresa não necessita repassar a quantia de 75% ao motorista; para a empresa seria o aumento exponencial do faturamento; e a pergunta que fica é o que fazer com os 600 mil motoristas ubers do Brasil?


No caso da inserção de bombas automáticas em postos de gasolina, como nos EUA, a ideia aparentemente é ótima, você permite que o próprio usuário abasteça seu carro, reduz o custo de pessoal nos postos e consequentemente possibilita a redução do valor do combustível, impactando diretamente na vida dos cidadãos. Existem, inclusive, modelos prontos para serem vendidas no Brasil, entretanto, a lei 9.956 sancionada por Fernando Henrique Cardoso nos anos 2000 proíbe o funcionamento das mesmas aplicando multas e até o fechamento dos postos. A lei tem por objetivo resguardar a categoria dos frentistas no país que possui mais de 500 mil funcionários empregados.


Suponhamos que a lei seja derrubada no próximo mês e a Uber lance o seu novo modelo no Brasil. O país com 13 milhões de desempregados passaria em 1 único mês a ter 10% mais. Isso pra falar apenas de duas situações onde pode ser aplicada a automatização das cadeias de produção. Pensemos agora o que está acontecendo no universo digital, no caso dos aplicativos de atividades físicas, ou nas consultorias de treinos online, que tornam mais barato, rápido e acessível ao usuário praticar atividade física com orientação, ou no caso dos sistemas de contabilidade automatizados, bancos onlines, dentre outras possibilidades. O que fazer com a população desempregada? A quem diga: "se vire, arrume outro emprego, quem trabalha consegue". Mas, é preciso cautela ao afirmar isso, até porque a cadeia de produção econômica está toda interligada, 10 contadores a menos por causa de um aplicativo são 10 pessoas a menos abastecendo seus carros para trabalhar e vice versa.


Todavia, sabemos que diversos países desenvolvidos já automatizaram milhares de processos e possuem pleno emprego ou estão próximos, os EUA chegaram a taxas de 3,6% de desemprego em 2018, sendo um dos países que mais automatiza as ferramentas de trabalho. Aqui está um ponto central da discussão. A automatização de processos não é ruim para a economia, pelo contrário, pode ser boa. Aumentando a velocidade de produção, atende-se mais e maiores demandas, aumenta o fluxo, a demanda por empregos de supervisão, auditoria, consultoria, os salários e diminui o desemprego. O erro está no momento de aplicação, no perfil do IDH dos países onde será aplicado e no objetivo da aplicação.


Nos países em desenvolvimento, com economia simplificada e alta dependência de exportação de matéria prima, como o Brasil, a automatização tende a ser problemática, em especial, quando aplicada sem o acompanhamento de políticas públicas eficientes. É preciso entender também, que, esse processo nunca deve ser utilizada para corte de custos, sua função é de aceleração da produção. Ou seja, você tira o trabalho braçal do funcionário e o coloca na supervisão, aumenta a produção, produz conhecimento, agrega valor ao produto ou serviço e por consequência aumenta o lucro.


Esse é a missão institucional das empresas: a produção de riqueza e conhecimento; o lucro é consequência. Como empresário é sempre preciso lembrar o papel da profissão e nunca perder de vista o objetivo das empresas enquanto instituições, principalmente em momentos de crise. Não é cortando a própria carne que se aumenta o lucro.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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