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  • Rafael Bruxellas Parra

Amazonas em chamas


Queimadas em Humaitá, no Amazonas Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS - Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/incendios-na-amazonia-clareiam-ceu-noturno-23895146

Com a queimada e devastação recente da floresta amazônica, marcas internacionais como Timberland, Vans e Kipling anunciaram a suspensão da compra de couro brasileiro, impactando diretamente na cadeia produtiva do setor calçadista da nossa cidade. Como se não bastasse, uma das maiores fábricas de Franca, de grande história e inovação no ramo, acaba de demitir 328 trabalhadores, em torno de 15 % de seu número total de funcionários; e decidiu mudar a área de atuação para construção civil, produção de móveis e embalagens. O nome da fábrica, por incrível que pareça, também é Amazonas.


Em 2015 as indústrias calçadistas de Franca fecharam o ano com o pior volume de produção dos últimos 5 anos. E, dos últimos 10 anos para cá, está em queda. Com os novos acontecimentos, é crível dizer que o setor calçadista está em crise.


Para além das queimadas de nosso presidente, o motivo está relacionado a alguns outros fatores. O avanço do setor de lingerie na cidade, assim como a abertura, nos últimos anos, de três grandes supermercados (Atacadão, Makro e Walmart) criaram uma "guerra" pela mão de obra. Na lingerie, o trabalhador recebe um pouco mais. No comércio, por outro lado, há uma questão de status, e muitos preferem ir para lá, mesmo recebendo menos. Esses fatores criaram, para além da dificuldade de contratação dos trabalhadores qualificados na área, uma relação complicada entre custos e faturamento nas fábricas.


O momento de crise econômica vivido pelo País também é um dos responsáveis: o câmbio e o avanço da importação dos produtos chineses prejudicaram a indústria em todo o Brasil. A partir de 2010, a produção do polo calçadista no País reduziu pela metade, de 6% a 3,2%. Foi no mesmo ano que o então prefeito da cidade incentivou a produção do setor de lingerie, dizendo que Franca se tornaria não só a terra do calçado, mas a capital da moda.


Isso tudo levou os governos do Nordeste a perceberem uma janela histórica no setor e a terem uma importante previsão de seu potencial, incentivando a mudança de fábricas francanas para lá, através de políticas públicas para o setor industrial. Ocorreu nesse período a maior mudança de fábricas de calçado da cidade para aquela região.


Encontrar uma saída para o setor é de suma importância para o futuro de nossa cidade. Mas é preciso ter em mente que abrir caminho para o novo não pode significar a queda daquilo que temos de valor. Não é trocando o certo pelo duvidoso que iremos avançar. O incentivo à indústria possui desdobramentos que vão para além da produção industrial, impactando diretamente na renda da população e no desenvolvimento do mercado municipal, nas suas mais diversas áreas.


A indústria calçadista está precisando de incentivos, do estado, do governo federal e, em especial, da nossa prefeitura; esta precisa perceber que o calçado é parte da alma do povo francano.

Rafael Bruxellas é empresário, sócio diretor da empresa KOI e colunista do Jornal Verdade. Também foi Diretor Regional da rede Tekstudio em Brasília-DF.

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